Multitarefa: eficiência ou ilusão?
Pesquisadores revelam que fazer muitas atividades simultaneamente pode não ser tão boa ideia para o bom funcionamento cerebral.
Texto por Daniela Dias
Realizar diversas tarefas simultaneamente, mantendo a agilidade, precisão e bom humor parece ser o sonho de muita gente nos tempos atuais. Com a incorporação de novas tecnologias tanto no ambiente familiar como no trabalho, somada à rápida ascensão das mídias sociais, é cada vez mais socialmente aceito – e às vezes esperado – que a pessoa seja capaz de fazer muitas coisas e lidar com muita informação ao mesmo tempo.
Há quem acredite que possa manter um olho nas mais variadas redes de relacionamento, enquanto fala com o cliente ao telefone, responde e-mails, checa diversos sites de consulta, escreve um relatório… E, claro, com a outra mão ainda dá para preparar um cafezinho!
Embora a percepção e a autoavaliação de várias pessoas sugiram que esse comportamento é até mesmo estimulante, as pesquisas cientificas apontam na direção oposta: o multitasking pode custar um preço alto para o cérebro, além de não acrescentar absolutamente nada à produtividade.
E esse também é um problema para a saúde. Em pesquisa conduzida pelos neurocientistas Kepkee Loh e Ryota Kanai, na Universidade de Sussex, na Inglaterra, com 75 adultos saudáveis, revelou-se uma relação entre o uso de equipamentos multitarefas como notebooks e telefones celulares com a diminuição de densidade do Córtex Cingulado Anterior (CCA), região do nosso cérebro responsável pelas atividades cognitivas e de regulação emocional. Ou seja, em vez de deixarem os indivíduos mais alertas, o uso contínuo desses equipamentos repletos de funções pode levar a uma diminuição das capacidades de pensar e sentir com clareza, elevando as chances de problemas como ansiedade e depressão!
Já que o cérebro funciona muito melhor com o foco em tarefas individualizadas, que tal investir em treinar a atenção para otimizar cada uma delas? Dividir o foco entre muitas tarefas, em especial quando não estão correlacionadas, fragmenta a atenção e a torna instável. Ao dar início a múltiplas ações, têm-se a sensação de que se está avançando bastante, nada está parado, criando a ilusão de que o trabalho está rendendo melhor. Na verdade, se cada uma dessas atividades fosse feita com empenho e foco direcionado haveria maior qualidade, rapidez e mais tempo livre para que a seguinte tarefa pudesse ser realizada com essa mesma eficácia.
A abordagem meditativa mindfulness, entre outros benefícios para a saúde física e emocional, aprimora a capacidade de manter-se atento, focado e engajado nas atividades, desde escovar os dentes pela manhã até a entrega de um trabalho importante.
Com o treino é possível estar cada vez mais presente em tudo o que se faz. Mesmo quem se julga distraído pode se beneficiar desse tipo de meditação, já que a prática constante estimula a neuroplasticidade, que é a capacidade de nosso cérebro de criar, constantemente, novas conexões nervosas, tanto entre os neurônios quanto entre as regiões cerebrais.
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Posted on: 08/05/2018

