Mindfulness
Conceitos fundamentais
O que é mindfulness?
Texto por Katya Stübing
Mindfulness é a capacidade humana de saber o que se passa, momento a momento, interna e externamente, com atenção, clareza e uma atitude de menor julgamento diante da experiência.
Na literatura acadêmica encontramos diferentes definições de mindfulness. Algumas enfatizam mais os aspectos atencionais; outras incluem também atitudes como abertura, aceitação, não julgamento e não reatividade.
De forma geral, podemos compreender a mindfulness como uma habilidade que pode ser desenvolvida por meio de treinamento. Esse desenvolvimento envolve aprender a perceber com maior clareza o que acontece no corpo, nas emoções e na mente, reconhecendo também os padrões pelos quais tendemos a reagir às experiências.
Mindfulness e meditação não são a mesma coisa
Esses dois conceitos são frequentemente utilizados como sinônimos, mas é importante distingui-los.
Meditação
É um conjunto de práticas de treinamento mental. Pode incluir, entre outras, práticas de atenção focada, monitoramento aberto, compaixão e diferentes formas de contemplação.
Mindfulness
É uma capacidade que se desenvolve com esse treinamento e que pode ser aplicada também fora da meditação: enquanto caminhamos, conversamos, trabalhamos ou atravessamos uma situação emocionalmente difícil.
A meditação formal é uma das principais formas de desenvolver a mindfulness, mas o treinamento também envolve práticas informais, reflexão e investigação da experiência no cotidiano.
Presença, lembrança e continuidade
O termo mindfulness está relacionado ao conceito sati, presente nas tradições contemplativas budistas. Uma de suas dimensões importantes é a capacidade de não nos esquecermos da experiência que está acontecendo.
Em termos simples: saber onde estamos, o que estamos fazendo e como estamos, momento a momento.
Jon Kabat-Zinn, responsável pela introdução sistemática da mindfulness em contextos clínicos contemporâneos, propôs uma definição que se tornou amplamente conhecida:
“Mindfulness é a capacidade de prestar atenção de uma forma particular: com intenção, no momento presente e sem julgamentos.”
Não se trata apenas de prestar atenção
Sustentar a atenção é parte importante da prática, mas a mindfulness não se resume a permanecer concentrado em um objeto.
Ao observarmos a experiência de maneira mais estável, começamos também a perceber como reagimos ao que acontece: o que evitamos, o que buscamos, como julgamos, quais pensamentos se repetem e como diferentes emoções se manifestam no corpo.
Esse reconhecimento cria uma pequena, mas importante, diferença entre ter uma experiência e reagir automaticamente a ela. É nesse espaço que pode surgir maior possibilidade de escolha.
A mindfulness envolve perceber com maior clareza o corpo, os pensamentos, as emoções e os padrões de reação.
Atenção
Reconhecer onde está a atenção e aprender a estabilizá-la sem esforço excessivo.
Corpo
Perceber sensações corporais e reconhecer o corpo como parte da experiência que está acontecendo.
Emoções
Reconhecer estados emocionais, sua expressão corporal e os padrões de reação associados a eles.
Não reatividade
Criar condições para responder à experiência com mais clareza, em vez de simplesmente repetir respostas automáticas.
Atenção não precisa significar tensão. Uma parte importante do treinamento consiste justamente em aprender a desenvolver uma atenção estável e desperta sem manter o corpo em esforço desnecessário.
Das tradições contemplativas aos programas contemporâneos
As práticas hoje associadas à mindfulness têm raízes em tradições contemplativas antigas, especialmente nas tradições budistas. A partir do final da década de 1970 e início dos anos 1980, começaram a ser sistematicamente adaptadas para contextos seculares, clínicos e científicos.
Um marco importante foi o desenvolvimento do Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), por Jon Kabat-Zinn, inicialmente destinado a pessoas com condições médicas crônicas e sofrimento relacionado ao estresse e à dor.
Posteriormente, surgiram outros programas estruturados, como a Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT), desenvolvida especialmente para prevenção de recaídas em depressão.
Outras abordagens psicológicas contemporâneas, como a Dialectical Behavior Therapy (DBT) e a Acceptance and Commitment Therapy (ACT), também incorporaram princípios e práticas relacionados à mindfulness em seus modelos terapêuticos.
A proposta do T8SM©
Dentro desse campo foi desenvolvido o Treinamento em 8 Sessões de Mindfulness — T8SM©, um programa estruturado e progressivo criado por Katya Stübing a partir de sua experiência com prática contemplativa, ensino, saúde mental e pesquisa.
Ao longo das sessões, o treinamento amplia progressivamente aquilo que está sendo observado: começamos pela experiência corporal e avançamos para a percepção de pensamentos, emoções, padrões automáticos e modos habituais de reação.
O objetivo não é apenas praticar meditação durante algumas semanas, mas desenvolver uma habilidade que possa ser reconhecida e utilizada na experiência cotidiana.
Mindfulness na vida cotidiana
A mindfulness pode ser desenvolvida em um contexto secular, sem exigir adesão a uma tradição religiosa.
Hoje, práticas e programas de mindfulness são utilizados em diferentes contextos, entre eles saúde mental, educação, organizações e desenvolvimento pessoal.
O treinamento pode contribuir para reconhecer com mais clareza pensamentos, emoções e sensações corporais, perceber padrões de reatividade e desenvolver maior capacidade de regulação emocional.
Mais do que tentar estar atento o tempo inteiro, desenvolver a mindfulness é aprender a reconhecer a experiência com maior clareza e responder a ela de maneira menos automática.
Referências
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